Para a extrema-direita um sucesso, para a sociedade mais violência e insegurança
Sem escrúpulos, sem dados reais sobre o efeito contra o crime organizado e muita politicagem, operação no Rio de Janeiro vira slogan bolsonarista
O voto é coisa séria. Dá poder ao tipo de gente como Cláudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro e liderança no desastre provocado – iniciado na terça-feira (28) – em uma operação que resultou em mais mortes de pessoas do que qualquer tipo de apreensão e desarticulação de organização criminosa. Sem inteligência, planejamento ou benefício para a sociedade. Os números – como foram quantificados tantos sem identificação – não mentem.
A ação de uma força de segurança não deveria tornar um ambiente já vulnerável – carente de políticas públicas – em uma verdadeira zona de guerra, exposta e fragilizada, condenando tudo e a todos, que, ainda, parafraseando um trecho de uma canção dos Paralamas do Sucesso para um cenário com a população totalmente em xeque – “eu vivo sem saber / até quando ainda estou vivo / sem saber o calibre do perigo / eu não sei da onde vem o tiro”.
Na trama criada pela extrema-direita, o culpado é sempre o mordomo. Nunca é o patrão. O alvo se repetiu na violenta operação. Não alcançou a cabeça do sistema criminoso, enfileirou corpos como procedimento. A cena da rua – nas primeiras horas da manhã seguinte – nunca será esquecida. A mesma cor e o cep de sempre para o fortalecimento de um projeto, panfleto político e manutenção de poder. Para o governador, um sucesso. Correligionários – oportunistas – estendem a mão. Perfis nas redes não medem palavras de apoio, se aproximam do sangue derramado enquanto se distanciam da humanidade.
A alta letalidade previsível, como relatou o secretário de segurança pública do Rio de Janeiro em coletiva de imprensa, efetivada, ostentada e irreversível também colhe como plataforma eleitoreira a desesperança. Cada vez mais, projetos autoritários são eleitos não pelos votos recebidos, mas pelas abstenções e outras formas de coletar o resultado nas urnas. As frases de efeito ecoam, diz o governante: soma ou suma; isso em relação a quem, segundo o próprio, quiser fazer política com o tema. O mesmo fez e faz politicagem.
Em São Paulo, gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) – partido diferente, mas ideal bolsonarista espelhado ao de Cláudio Castro – não é distante. Sem timing – mas em tempo de marcar seu território na corrida, usando a pauta da segurança pública, foi anunciada na tarde da última quarta-feira (29) a Operação Impacto Metropolitano Grande ABC, com cerca de 1.500 policiais e 400 viaturas. Ótimo… Quantas operações – iniciadas com alto efetivo de trabalhadores e trabalhadoras, promovendo corte de tamanha mobilização para as redes sociais e vídeo de gestor municipal prometendo mais segurança – aconteceram na região ABCDMRR somente em 2025? Você se sentiu mais seguro – na hora de esperar o ônibus, tomar a decisão de onde estacionar o carro ou na volta para casa?
É fundametnal agir, instituições e autoridades, porém… Promessas vazias que utilizam horas de trabalho de agentes, a sensação de medo constante na sociedade e o próprio crime como combustível de uma engrenagem em funcionamento – a qualquer custo – isso, abaixo de quem governa parece servir somente para manter nos trilhos seu próprio governo. Resumo de tanto, tudo e todos à reprodução de meia dúzia de palavras para no fim ser propagado como o mais novo slogan bolsonarista. Até quando?
