Nova Pista de Skate, Parque da Juventude e o que mais couber
Grandes projetos pequenas mudanças no programa cultural da Estância
Pista de Skate, em Ribeirão Pires (Fotos: Território Livre Fm)
Em Ribeirão Pires, as manifestações culturais urbanas vivem no apagão. Na praça que não tem energia elétrica, da falta de luz sobre projetos de formação e nos espaços – potentes – entregues ao esquecimento. No último 22 de abril, a cidade viu a gestão municipal apresentar um pacote de intervenções na área central e o anúncio – objeto deste texto – da revitalização da Pista Skate. Não bastava ter o equipamento público dentro do planejamento de governo, zelando, propondo e fortalecendo as iniciativas ali vividas, e um trabalho melhor elaborado antes da sensação – que se tem por aí – de que o vagão de trem, vizinho-estacionado desde setembro de 2025, não alcançou as expectativas iniciais dos seus idealizadores.
A máquina não foi museu, nem restaurante. Não uniu história e inovação após a abertura do edital de seleção para implantação, administração e operação comercial. Ficou parada. Esperando. Meses. Agora, com a promessa em postagem nas redes sociais da prefeitura de que “o rolê vai mudar de nível”, a iniciativa da vez para todo o entorno do vagão de trem acrescenta pátio de eventos, deck, palco, jardim de chuva, bowl, pump track e a Casa do Hip Hop. Mais um grande projeto. Sem garantir o básico, a manutenção do piso e ouvir o pulso diário da comunidade, a manobra parece atravessada.
O discurso não desembarca com sentido de continuidade. Qual o percurso? É como se nada dos segmentos propostos estivessem acontecendo – independente – ali ou em algum lugar. Um ar de inovação e futurismo, mas o papo é que olhando lá na frente, as peças virtuais divulgadas não indicam prazo ou previsão de entrega. De certo é que será preciso remar com criatividade para encaixar um ollie e um flip durante as obras. Praça Central, Calçadão da Rua do Comércio e a Tenda Multicultural não são opções. Ainda no – vindouro – Parque da Juventude, a Casa do Hip Hop está prevista, um retorno depois de ter seu nome substituído dentro de um plano de “revitalização” não tão distante daqui, em 2020.
Hoje, enfileirando mudança de destino, nova nominação, insistência na tecla pelo progresso sem mesmo considerar uma ordem, os canteiros de obras se acumulam, a Estância Turística não se reconhece e o mais novo de agora já ficou velho amanhã. O programa cultural, não se tem destino. Com a política que tudo cabe no slide, no microfone e no vídeo, o horizonte carrega um amontoado de promessas que ninguém pediu, não considera a demanda e tomba pelo descuido cotidiano de quem muito inventa, mas pouco se prepara para gerir. Valeu?
