Grande dia: líder e demais réus condenados por tentativa de golpe de Estado
Ele, que não quis passar a faixa, deixa o título de ex-presidente para assumir o de líder de organização criminosa. Parabéns, condenado
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Quinta-feira, 11 de setembro. O voto de Carmen Lúcia abriu os trabalhos do julgamento pela tentativa de golpe de Estado do núcleo crucial da organização criminosa liderada por Bolsonaro, segundo apresentou o ministro relator do processo, Alexandre de Moraes, que votou na última terça-feira (9), seguido por Flávio Dino. A posição da ministra formou maioria no STF pela condenação dos réus. Presidente da 1ª Turma, Cristiano Zanin, foi o último a votar, fechando o placar em 4 x 1.
Ao longo da última semana, assistimos horas de explanações. A maior delas, de Fux – que ao levar mais de 12 horas para registrar seu voto, evidenciou que o STF não persegue Bolsonaro e – até – diverge dentro de um mesmo processo. Inclusive, o indefensável tem o seu direito de defesa. É o papel da Democracia, cobrir até quem a tem como inimiga.
Assim, prevaleceu – com apresentação de provas concretas em vídeo, áudio, impressas e demais formas e formatos, o trecho do relator do processo, Alexandre de Moraes, quando relata que “o Brasil quase volta a uma ditadura, que durou 20 anos, porque uma organização criminosa, constituída por um grupo político, não sabe perder eleições. Porque uma organização criminosa, constituída por um grupo político liderado por Jair Bolsonaro, não sabe que é o princípio democrático a alternância de poder”. Fim.
Mas, se não bastasse, um complemento figurativo foi exposto por Flávio Dino, quando destacou a metáfora do ‘boi fatiado’ para pontuar a tentativa de desconstrução de um processo decorrente – você divide o boi em bifes e pergunta a cada pedaço, você é um boi? E claro, o pedaço nada diz. Pede para mugir, e o pedaço não muge. Aí, a conclusão, falseada, é de que nunca existiu boi… Quando a análise de uma hermenêutica correta é evitar esse método falacioso de esquartejamento em pedaços do que não serve para construção da falácia de que não há boi. Golpe!
Carmen Lúcia, em um dos seus apontamentos, levantou mais um exemplo fácil de ser referenciado ao vivido no Brasil quando citou o escritor Victor Hugo em uma leitura livre durante o seu decisivo voto:
– o mal feito para o bem continua sendo mal.
– Mesmo quando ele tem sucesso?
– Principalmente quando ele tem sucesso.
– Por que?
– Porque, então, ele se torna um exemplo e vai se repetir.
No ponto.
Findado o resultado, seguido pela dosimetria da pena, a celebração é pela sensação concreta de justiça – que não é a melhor coisa em um país ainda tão injusto e desigual, mas para o presente e futuro do Brasil ela cumpriu o seu real papel em um caso tão absurdo de se buscar o poder pelo uso da força, sem escrúpulos e com capítulos mais rebuscados que alguns dos maiores clássicos da dramaturgia nunca alcançaram.
Bolsonaro, 27 anos e 3 meses. Histórico. Pena, prisão de segurança máxima e o pó da história para nunca mais. Que assim seja.
