START #3 | O Agente Secreto, os prêmios e a vitória da cultura brasileira

Impacto lá fora, possibilidades infinitas para o fortalecimento da Cultura e do audiovisual aqui dentro – no Brasil

O Agente Secreto, vencedor em Cannes e no Globo de Ouro, indicado ao Oscar em quatro categorias (Imagens: Reprodução/Divulgação)

O Brasil fez história no Globo de Ouro. O cinema brasileiro faz, conta e acontece como história todo dia. No último 11 de janeiro, O Agente Secreto escreveu mais um capítulo da trajetória cinematográfica brasileira conquistando os prêmios de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e Melhor Ator – pelo trabalho de Wagner Moura. Antes disso, havia a dobradinha vitoriosa em Cannes – Melhor Direção e Melhor Ator – e o futuro está traçado com as indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco (Gabriel Domingues), para citar os eventos de maior repercussão no calendário de premiações.

“Estamos felizes em ver um produto cultural brasileiro gerando tanta discussão boa sobre a história do Brasil”, disse Kleber Mendonça Filho durante a coletiva logo após o resultado de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa no Globo de Ouro. Felicidade nossa, também. Festivais e prêmios internacionais, além do soft power – meio de entrada, apresentação e fortalecimento da identidade de um país em outro através da sua cultura – há o impacto dentro do próprio território. O retorno de O Agente Secreto aos cinemas, desde a última semana, significa mais salas ocupadas com uma produção brasileira, maior bilheteria e arrecadação, logo, uma nova oportunidade para quem ainda não pôde ver o longa na telona. Se já viu, veja de novo e leve alguém. Até o momento, o filme foi assistido por mais de 1,5 milhão de pessoas.

Outro fator positivo é o momento oportuno para o investimento em políticas públicas, como uma medalha olímpica que pode resultar em ampliação de incentivos – mesmo ainda distante do reconhecimento ideal, não é incomum surgir aqui ou ali uma pista de skate inspirada pela mais nova conquista de Rayssa Leal, por exemplo. Agora esse modo de retorno pode se dar no setor cultural. As trajetórias de Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto podem servir como atalhos, como apontou o presidente Lula (PT), em conversa por telefone com Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho divulgada nas redes sociais, quando demonstrou vontade de criar centros culturais pelo Brasil com recursos para formação, fazer exibições do filme em escolas e mais. Que seja caminho sem volta.

Tem novidade para estrear

Mais avançado e em sintonia com o momento atual de amplo mercado dos serviços de streaming – possivelmente na contramão dos questionáveis catálogos com tanta rotatividade – surge o Tela Brasil, parceria entre a Secretaria do Audiovisual (Ministério da Cultura) e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), reunindo seriados, documentários e filmes brasileiros sem custos para o público.

Além do benefício de não incomodar o bolso, o projeto poderá servir como banco de pesquisa e preservação da história sobre a realização da sétima arte ao longo dos anos no Brasil. Potencialmente também deverá acomodar produções via edital, valorizando o trabalho de fazedoras e fazedores. Fundamental. Em fase final de testes, o Tela Brasil tem previsão de lançamento para o primeiro trimestre de 2026.

Mais política – a Lei Rouanet

Segundo dados da última pesquisa pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Lei Rouanet gerou em 2024 mais de 228 mil postos de trabalho. Movimentou R$ 25,7 bilhões. Para cada R$ 1 investido retornou R$ 7,59 para a economia. Tudo isso a partir de uma lei que permite que pessoas e empresas destinem parte do Imposto de Renda – que já pagariam – para projetos culturais aprovados pelo MinC passando por análise técnica, regras públicas e prestação de contas. (fonte: govbr)

Ainda assim, O Agente Secreto não contou com recursos provenientes da Lei Roaunet – que não pode ser revertida para projetos de longa-metragem de ficção. Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), co-produção internacional e iniciativa privada financiaram o filme quatro vezes indicado ao Oscar.

Para não esquecer e fortalecer a realidade mais que a ficção, o setor cultural é uma máquina. Um polo. É um campo infinito. Gera emprego, renda e investimento. Como vários setores – automobilístico, têxtil, agro, etc – a cultura por si só é um pilar com potencial para levar e elevar o país. Viva!

Cinema e Vida

Ainda no Globo de Ouro, Kleber Mendonça Filho sublinhou a importância do cinema como ofício. “Dedico esse filme a jovens cineastas, este é um momento muito importante no tempo e na história para se estar fazendo filmes aqui nos EUA e no Brasil”, falou o diretor ao receber o troféu. Não tão distante, em 2024, Wagner Moura vive o jornalista Joel em Guerra Civil, direção de Alex Garland (Ex_Machina: Instinto Artificial – 2014).

A trama é uma fotografia do seu tempo. Elenco de respeito, Kirsten Dunst e Cailee Spaeny interpretam fotógrafas de gerações diferentes dividindo os mesmos ângulos. Com cenas de ação e tensão, o filme é causa e apresenta as consequências – possíveis fora da tela nos dias de hoje – a partir de um EUA dividido, em ebulição e sem o velho conhecido alcance para culpar alguém de fora como seu maior inimigo. Atual. Assista!

Ainda estou aqui – até a mídia física respira

A Obras-Primas do Cinema, distribuidora brasileira de filmes em mídia física, realizou no último dia 21 de janeiro sua live regular para anunciar os próximos lançamentos. Entre os temas respondidos para o público, a empresa confirmou que o sucesso da edição de Ainda Estou Aqui em Blu-ray – comercializado a partir do segundo semestre de 2025 e com tiragem esgotada – permite ampliação de portfólio, além de abrir portas no mundo para futuros projetos. Do lado de cá da telinha, que venha O Agente Secreto e mais títulos para a sessão sofá e coleções, afinal, nem só de nostalgia vive a mídia física, mas também de presente.

START é o espaço dedicado no Território Livre Fm para a Cultura Pop e suas expressões, links e tudo aquilo que fizer sentido depois do ato de dar o START – novo texto toda semana

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