START #8 | As figurinhas chegaram: vai ter Copa; convocação e cinema aumentam o clima
Colecionáveis, filme brasileiro pra curtir numa sessão da tarde e o aquecimento para mais um mundial de futebol
Figurinhas da Copa do Mundo no ábum e no cinema (Imagem: Reprodução/Divulgação)
Eliminatórias, sorteio dos grupos e a repescagem adiantam muita coisa, mas nada é tão a cara de que uma Copa do Mundo de futebol está chegando como o lançamento do álbum e as figurinhas. Neste ano, a brincadeira começou mais ou menos a partir das primeiras horas de maio, conforme a distribuição pelo país – que ainda está acontecendo em alguns lugares e para produtos específicos. Mais seleções, mais figurinhas para completar a coleção.
Com o aceite das confederações pelo projeto apresentado pela FIFA – a Copa do Mundo inaugura no Canadá, EUA e México o formato com 48 participantes. Na matemática: são 980 cromos, mais parcerias comerciais e – copiando as últimas edições – um pacote maior com atualizações pautado nas convocações definitivas de cada país. Os eventos de troca fazem o meio de campo para o bolso sentir menos o valor da brincadeira. Também não é difícil já encontrar bancas e colecionadores vendendo figurinhas avulsas para diminuir o estoque e as sobras na mão após o apito final.
Convocação da seleção brasileira
A convocação virou evento – confirmado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como o maior da história para divulgação da lista. Na última segunda-feira (18), a cerimônia realizada no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro, contou com uma performance teatral relembrando os títulos mundiais – 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, um bloco sobre os trabalhos da seleção feminina para a Copa de 2027 no Brasil e uma homenagem para Pelé e Zagallo – os destaques mais aceitáveis da programação. O marketing e a espetacularização fizeram lá sua firula, empurrando até onde foi possível o tão aguardado momento.
No começo da noite, Carlo Ancelotti assumiu a mesa, chamou para si a responsabilidade sobre a decisão dos selecionáveis e confirmou os nomes: Goleiros: Alisson, Ederson e Weverton; Defensores: Alex Sandro, Bremer, Danilo, Douglas Santos, Gabriel Magalhães, Ibañez, Léo Pereira, Marquinhos e Wesley; Meio-campistas: Bruno Guimarães, Casemiro, Danilo S., Fabinho e Lucas Paquetá; Atacantes: Endrick, G. Martinelli, Igor Thiago, Luiz Henrique, Matheus Cunha, Neymar, Raphinha, Rayan e Vini Jr.
Bento, Éder Militão, Rodrygo, Estêvão e João Pedro cravaram lugar no álbum oficial, mas ficaram de fora dos convocados pelo treinador – por lesão ou escolha do italiano. Para não faltar o toque de brasilidade comentarista – com a devida licença jornalística – a contribuição e pitaco para o tema da vez é que a convocação de Neymar joga de acordo com o atual ciclo da seleção brasileira. Processo confuso com treinadores, escolhas contestáveis e lesões que, provavelmente, mexeram com a lista final. Serve, também, como último ato para uma geração de jogadores fã e dependente do futebol do santista. O projeto de Ancelotti para a Copa do Mundo de 2030 passa por entregar agora esse serviço.
Copa e figurinha no cinema: O Gênio do Crime
Filme com grupo de crianças protagonista é jogo (quase) ganho. Em O Gênio do Crime, dirigido por André Felipe Binder, o time se reúne para solucionar um mistério: a falsificação da mais importante figurinha para completar o álbum da Copa do Mundo. A ação provoca um caos, não há prêmio suficiente para a quantidade de pessoas com a coleção cheia. Na tentativa de ajudar a empresa responsável, Gordo lidera a iniciativa, Edmundo é o jogador, Pituca faz o meio com a galera e Berenice fecha o quarteto à base de estratégia.

Adaptação do livro infanto-juvenil de João Carlos Marinho, a versão cinematográfica chega mais de 50 anos depois do seu lançamento nas páginas. Precisamente, a obra nasceu um ano antes do tricampeonato mundial na vida real. Na tela, a colagem provoca nostalgia – bolinho de figurinha pra lá e pra cá, infância, recreio e seleção brasileira, esse esquema tático torna o programa desde o apito inicial mais atrativo que qualquer zero a zero. Só que não vira goleada. Esse quadrado mágico não atinge seu máximo.
Algumas adaptações para o longa – que se passa nos dias atuais – não entrosam com a realização. A entrada na fábrica de figurinhas, o passeio enquanto a mágica linha de produção acontece, fases da investigação e o mundial que não parece interferir tanto no clima de São Paulo, são elementos com potencial para elevar as relações entre personagens, fazer a poltrona do cinema virar arquibancada e ter um momento de ápice: o gol; mas o roteiro joga com o regulamento debaixo do braço. Para não perder o toque futebolístico: O Gênio do Crime é um amistoso para assistir no meio da tarde.
Colecionáveis: a alma do negócio e o futuro das figurinhas
Latas de refrigerante, pelúcias, doces, bolas e o que mais der tempo. A Copa do Mundo 2026 começa no dia 11 de junho, mas até lá o campo do marketing não está vazio. Marcas escalam seus licenciados. O mundial ganha sabor, mobília e memória. É esporte e negócio. O item mais popular – álbum e figurinhas – é só o maior exemplo da coisa. É sobre ele, também, a maior notícia deste ciclo. Depois de 60 anos, a Panini deixará de ser a responsável pela comercialização do produto.
Já corria por aí o anúncio de que as seleções de Brasil, Itália, Alemanha e Inglaterra teriam exclusividade no futuro com uma empresa concorrente. Não foi só isso. A FIFA foi além e negociou suas competições a partir de 2031 com a Fanatics Collectibles – mais conhecida no mercado como Topps. O contrato visa figurinhas, cards, jogos de cartas físicos e digitais – além dos colecionáveis especiais com pedaços de uniformes de jogadores.
Para o futuro, o entrosamento e assinatura prevê mais de US$ 150 milhões de itens distribuídos gratuitamente. No presente, fãs imprimiram nas redes sociais especulações e críticas pelo timing adotado para divulgação da parceria. De passado, fica o gosto levado por gerações – enfrentando adversários, cifras e pacotinhos – sempre é assim, quase como uma regra; que ainda guardará boas páginas daqui até o início da próxima década.
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