Diário da Copa 2026 | Mundial começou antes das três aberturas, susto para o Brasil e artilheiros fazem a festa na primeira rodada

Uma semana, 24 jogos e a história do futebol de seleções sendo escrita no México, Canadá e EUA

Um grande evento como a Copa do Mundo de futebol é porta de entrada. Para os dois lados. A cultura local do país-sede se abre para além da sua fronteira. Convida. Se mostra. Quem está fora quer fazer parte daquele momento. Visita. Consome. O anfitrião joga o jogo, Trump quer ditar as regras. O maior mundial da história – em número de seleções e quantidade de países organizadores – acrescentou às estatísticas o veto de trabalho a um árbitro da Somália, a proibição de permanência do Irã em solo estadunidense durante a competição e revistas que substituíram o serviço de inteligência pela mensagem ao planeta: quem é ou não é bem-vindo aqui.

Mas e a FIFA? Lucra. Desde a inaugural Copa do Mundo de Clubes, em 2025, também realizada nos EUA, a federação nunca pareceu competir pela independência sobre a organização ou assegurar que seus afiliados – sem exceção – não fossem constrangidos. Canadá e México completam o time de anfitriões. A expectativa – e torcida – é para que cumpram o significado do termo. O esporte ganha. Na última quinta-feira (11), o Estádio Azteca sediou os primeiros 90 minutos de bola rolando da Copa do Mundo 2026 com a seleção mexicana diante da África do Sul.

Dia 1

O tão esperado 11 de junho chegou. Emoção na primeira imagem de campo. Os Bafana Bafana desembarcaram em coro musical, com tradição e cultura. Não tem maneira melhor de traduzir de cara o sentido da coisa Copa do Mundo. Com astúcia, a arquibancada gritou olé desde os primeiros segundos e passes trocados pelo México. O jogo que repetiu a abertura da edição de 2010 foi de novo com entrega das seleções.

Quiñones – o nome que abriu os trabalhos – converteu a pressão favorável em gol no 1ºT. Raúl Jiménez fez valer o mando de campo no 2ºT, recuperado de fratura no crânio balançou a rede pela primeira vez em Copa do Mundo e definiu o placar. O árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio foi responsável por três expulsões – número alto para o padrão do campeonato. Na outra partida do Grupo A, a Coreia do Sul sofreu defensivamente pelo alto contra a Tchéquia, saiu atrás em jogada de latereio. Com paciência e qualidade, os sul-coreanos conseguiram virar o marcador e garantir o resultado: 2 x 1.

Dia 2

Para completar a festa de abertura, Canadá e EUA entraram em campo. Em Toronto, a Bósnia e Herzegovina quase comemorou sozinha. Caminhando para os minutos finais, Larin empatou e confirmou o primeiro ponto canadense na história da Copa do Mundo. Nos EUA, Los Angeles foi o palco de um contundente 4 x 1. Treinados pelo argentino Pochettino, os estadunidenses ganharam logo no começo um presente – gol contra de Bobadilla. Daí em diante, Balogun, duas vezes, e Reyna deram toques especiais para o marcador – golaços. Pra empolgar? O brasileiro e paraguaio Mauricio, atleta do Palmeiras, descontou, única alegria do lado sul-americano que ficou devendo futebol.

Dia 3

Dia cheio. O primeiro com 4 jogos. Expectativa sobre o Brasil de Ancelotti. Antes, a Suíça cedeu o empate para o Catar – primeiro ponto na história da Copa do Mundo do país-sede da última edição. Na sequência, o grande jogo da rodada – para brasileiros e brasileiras – começou com susto. Marrocos dominou os minutos iniciais e aproveitou o espaço no campo de ataque para fazer 1 x 0. Ainda sem controlar o jogo, o individual equilibrou o placar. Vini Jr. tirou da cartola o ângulo para finalizar, chute sem defesa para Bounou e gritaria com o empate ainda no 1ºT.

Sem conseguir encaixar coletivamente, o Brasil alternou momentos muito abaixo em diferentes setores – sem vida no meio de campo, falhou na defesa em um momento decisivo – o início da partida e não emplacou na frente. Igor Thiago não foi o 9 esperado, Endrick ficou no banco e o ponto conquistado ficou aceitável pelo contexto. No outro confronto da chave, o Haiti foi grande pra cima da Escócia. Derrota pelo placar mínimo e sinal de alerta contra a sensação de jogo fácil para os brasileiros na próxima sexta-feira (19). Fechando o sábado (13) – já madrugada de domingo (14) por aqui, a Austrália foi superior a Turquia, venceu por 2 x 0.

Dia 4

Domingo (14) de goleadas. Pela hora do almoço, a Alemanha era favorita contra a estreante Curaçao. Gol no início. Normal. O empate não estava na conta. Feito maiúsculo e histórico do país localizado na região do Caribe. Daí em diante, gol da Alemanha… 7 x 1 para uma lembrança – de certa forma – indigesta. Pela mesma chave, a primeira vitória africana com a Costa do Marfim, 1 x 0 sobre o Equador. Pelo Grupo F, Holanda e Japão fizeram um jogo competitivo, de muita qualidade, mas sem vencedor. No fim do dia, o 2 x 2 foi bom para a Suécia que não tomou conhecimento da Tunísia. Domínio absoluto no campo, 5 x 1 no resultado e um fato inusitado no pós-jogo – a demissão do treinador da seleção africana Sabri Lamouchi.

Dia 5

Segunda-feira (15) sempre é treta. Começo de semana, responsabilidade convocando e a vitória não atendeu ao chamado. Bélgica e Egito ficaram no 1 x 1. Sem muito entusiasmo. Irã e Nova Zelândia – mais dispostas – fizeram uma partida lá e cá, o 2 x 2 deixou tudo aberto para a próxima rodada. O principal lance da chave aconteceu nos bastidores, o técnico iraniano Amir Ghalenoei relatou ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, sua insatisfação com as medidas impostas ao seu selecionado – classificando a equipe como a mais oprimida e com a preparação prejudicada.

No Grupo H, a Arábia Saudita quase surpreendeu mais um sul-americano na estreia. Em 2022, venceu a Argentina. Hoje, vencia o Uruguai até sofrer o empate – resultado final. No outro confronto, a atual campeã europeia Espanha tentou de todas as formas balançar a rede de Cabo Verde. Vozinha,, o goleiro cabo-verdiano de 40 anos, muito carisma e competência, defendeu tudo que chegou. O atacante Ryan classificou sua seleção como corajosa e com espírito de equipe após o 0 x 0 e a conquista histórica do país logo no primeiro jogo em uma Copa do Mundo. Rogério Ceni, Ronaldo, Ivete Sangalo e Carnaval são algumas referências brasileiras dos atletas. Fantástico!

Dia 6

Dia dos goleadores. Da história sendo escrita a cada jogo. A velocidade característica de Mbappé ganhou os reforços do posicionamento e arremate – a soma, com os dois gols marcados no 3 x 1 sobre Senegal,  elevou o atacante aos 14 gols em Copa do Mundo. Começando sua história na competição mais importante de seleções, Haaland – tão acostumado a fazer gols – não poderia tratar de outra forma sua apresentação. O jovem norueguês fez dois no 4 x 1 contra o Iraque. Destaque para Aymen Hussein, que marcou o gol iraquiano – na sua chegada nos EUA para disputar o mundial passou por um interrogatório de 7 horas. Respondeu no campo.

A Argentina – defendendo o título de campeã mundial – mostrou mais uma vez ao planeta a grandiosidade de Messi. Na subida para o aquecimento, o argentino liderou o elenco. Puxou o coro. No campo, tratou a bola com cuidado, finalizações precisas e três vezes na rede diante da Argélia. Tudo isso em menos de 90’, o ídolo foi substituído – aplaudido pelos espectadores e espectadoras, depois de chegar aos 16 gols em Copa do Mundo, número que dava o lugar de maior artilheiro masculino isolado para o alemão Klose. O mais normal é que a marca não fique dividida por muito tempo. Para fechar a terça-feira (16), a Áustria confirmou a superioridade contra a estreante Jordânia, que marcou seu gol com Ali Olwan para colocar na história a estreia mesmo com a derrota por 3 x 1.

Dia 7

Nada como um dia após o outro. Essa máxima foi ruim para o começo de Cristiano Ronaldo na Copa do Mundo 2026. O português estreou com a pressão posta – indiretamente – pelos rivais de artilharia. Sem conseguir fazer o seu por Portugal, somando um empate contra a RD Congo, o futuro pode ser a alternativa que resta por dias melhores. A Colômbia não apresentou o melhor futebol, mas confirmou o favoritismo com o 3 x 1 contra o Uzbequistão – que fez seu primeiro gol em mundial com Fayzullaev.

Inglaterra e Croácia já fizeram semifinal em 2018. Hoje (17), Kane puxou a bem sucedida revanche com dois gols. Se colocou da melhor maneira na lista dos fazedores de gol. Mesmo sofrendo o empate duas vezes, foram muitas finalizações dos ingleses entre os gols de Bellingham e Rashford. Livaković evitou o desequilíbrio no placar. Thomas Tuchel – que optou deixar estrelas de fora – confirmou seu elenco entre as favoritas. Completando a chave, Gana fez o resultado no último lance contra o Panamá.

Mais Golaço em 2026!

Sem descartar os tantos feitos e desfeitos negativos da FIFA, a Federação acertou quando venceu o braço de ferro com a UEFA pela Copa do Mundo de Clubes – inaugurada em 2025. O evento foi disputado no campo, gerou confrontos improváveis – antes realizados apenas em amistosos ou agora de quatro em quatro anos quando pela disputa que vale o título de maior time do planeta – a segunda opção parece bem mais interessante. Agora, novamente, a decisão inédita por 48 seleções na Copa do Mundo 2026 confirma o sentido do evento. Mais camisas, culturas e diversidade. Tem a expansão política de Gianni Infantino – fato; fora dos negócios, o nível técnico não foi comprometido. Mais entretenimento.

Pra (não) variar, a UEFA mais uma vez apostou em jogos desinteressantes, errou quando quer centralizar toda a atenção global somente no seu produto. Cabo Verde, Haiti, Jordânia e RD Congo são exemplos na primeira rodada da Copa do Mundo 2026 de confrontos com europeus que foram decididos depois do apito inicial. jogo jogado. Outra medida da organização do torneio, as paradas para hidratação mudaram positivamente a modalidade. Como já tinha sido o aumento para cinco substituições. Não é absurdo dizer que agora os dois tempos viraram quatro períodos. Com espaço para reorganização tática, descanso e, também, para mais publicidade. Para nós, melhora o espetáculo. Para eles, ganha o financeiro.

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