Diário da Copa 2026 #2 | A sorte de no mesmo dia a história ser escrita e reescrita 

Disputa pela artilharia histórica e da edição atual ganha novos capítulos a cada partida; busca individual leva seleções mais longe e torcida não tem o que reclamar 

Sorteio, como define a busca pelo significado da palavra, é o ato ou efeito de sortear, de eleger por sorte. Numa Copa do Mundo é, também, o evento que antecede os confrontos. Prepara os caminhos a cada bolinha revelada. Seleção por seleção. Nos últimos anos, com aumento de participantes na maioria das competições – considerando bloqueios, logística, tempo de descanso, entre outros quesitos – a máquina ganhou um papel para além do trabalho manual. Com tudo isso, sortudos e sortudas somos nós que na edição de 2026 do mundial de futebol tivemos a – incrível – combinação de dois dias de Messi, Mbappé e Haaland.

Depois da histórica rodada de estreia, os três goleadores mantiveram a média, na medida não foi coisa de sorte. Liderança, categoria e vitalidade. Qualquer uma das definições serviria para qualquer um deles. Mas… Messi descobriu seu lugar a frente de um time que se espelha no próprio ídolo. Com ele. Por ele. Mbappé é o último toque de um elenco refinado. Rápido e veloz. Pode ser de longe ou de dentro da área, finalizador. Decisivo. Haaland é o mais novo, experiente absoluto no assunto. Daqueles que mesmo tendo marcado muitos, se revolta pelos poucos perdidos. Somando as individualidades, 13 gols do trio com muita Copa do Mundo pela frente.

Se a busca individual pode nas maiorias das vezes atrapalhar o desempenho coletivo – isso é tudo o que não tem acontecido na Copa do Mundo 2026. Os líderes de Argentina, França e Portugal são procurados pelo que são capazes de fazer com a bola. Sem ela, abrem espaços para seus companheiros. A arquibancada – no estádio ou no sofá – assiste uma história atualizada a cada minuto contado no relógio do evento sediada no Canadá, México e EUA.

Dia 8

O Grupo A não entregou emoção. A Tchéquia saiu na frente no começo, a África do Sul buscou o empate. México e Coreia do Sul, com mais qualidade, fizeram um jogo equilibrado, caminhando para a igualdade até uma falha inesperada do goleiro sul-coreano decidir os três pontos para os donos da casa. No Grupo B, muitos gols, sem significar partidas memoráveis. A Suíça emplacou a goleada para cima da Bósnia e Herzegovina depois de um confronto muito do arrastado. O Canadá foi completamente superior ao Catar, aproveitou duas expulsões do adversário e seguiu atacando forçado pelo emocional após perder Koné – o jogador sofreu uma falta que o levou a uma fratura na perna. Com 6 x 0 no placar, conquistou sua primeira vitória em Copa do Mundo e encaminhou a histórica classificação.

Dia 9

A abertura do dia ficou com os EUA. A Austrália reclamou lances pontuais, mas a vitória dos anfitriões confirmou o 100% dos países-sede na segunda rodada. Contraste na chave, a Turquia terminou os 90’ contra o Paraguai eliminada. Sofreu um gol no começo e mesmo com um jogador a mais desde o 1ºT finalizou mais de 30 vezes, todas sem sucesso. No Grupo C, o Brasil entrou em campo sabendo do resultado: Marrocos 1 x 0 Escócia. A pressão aumentou pela disputa da liderança. Adversário mais limitado em comparação com o da estreia, Matheus Cunha assumiu a posição de centroavante, fez dois e parece ter convencido Ancelotti como a melhor escolha para o setor. Vini Jr. participou dos lances e mais uma vez foi pra rede. No 2ºT, a expectativa era por mais. Não aconteceu. Assim, o 3 x 0 – de certa forma – cumpriu a missão. Não mudou o status.

Dia 10

Primeiro você goleia, depois é goleada. A Suécia sofreu nos pés da Holanda, perdeu pelo mesmo placar que havia ganho na estreia. Brobbey e Gakpo fizeram dois gols cada no 5 x 1. O Japão não demonstrou menos força. Fez 4 x 0 na Tunísia e se apresenta melhor a cada edição do mundial. Esse jogo marcou o 1000° na história da Copa do Mundo. No outro grupo, a Alemanha venceu na camisa, história e tradição. Saiu perdendo da Costa do Marfim e terminou com o resultado positivo, de virada e com a força que impõe respeito para a próxima fase. Já o Equador não colocou em prática o futebol esperado, perdeu gols que não se pode perder e quase foi surpreendido por Curaçao. O empate em 0 x 0 foi muito comemorado pelo país estreante – seu histórico primeiro ponto.

Dia 11

A Espanha está na disputa. Lamine Yamal, desde o início, precisou de 10’ para fazer o seu primeiro gol em Copa do Mundo. Oyarzabal fez dois no 4 x 0 sobre a Arábia Saudita e a campeã de 2010 voltou seu nome entre as favoritas. Cabo Verde segurou mais uma seleção pesada: o Uruguai. Empate em 2 x 2, com disputa acirrada durante os 90’ e condição mais favorável na briga por classificação em relação aos sul-americanos. A Bélgica decepcionou mais uma vez. A talentosa geração vai ficando no passado e pedindo por uma reformulação. Courtois foi o melhor. O empate com o Irã passou pela atuação do goleiro. Em Egito e Nova Zelândia, Salah conseguiu ser decisivo em uma partida de mundial. O atacante fez o gol que colocou os egípcios na frente, foi a diferença no resultado final: 3 x 1.

Dia 12

Messi, máximo! O pênalti desperdiçado antes dos 10’ não foi a bola fora para o cenário perfeito. A cabeça seguiu dentro do campo. O atacante correu, distribuiu e assumiu a sua melhor posição – um lance livre quase da marca penal para chutar, com a bola rolando. Na rede! O 17º gol na história da Copa do Mundo. Superou Klose. E se superou ainda contra a Áustria. Nos acréscimos, combatendo, armou a jogada do segundo gol. A bola só cruzou a linha quando voltou para o pé do camisa 10. São 18 gols e, tudo indica, um longo mundial pela frente.

Raios e tempestade tentaram o protagonismo, mas em jogo de Copa que tem Mbappé no campo o dono da bola tem nome. O francês fez um gol em cada tempo contra o Iraque, enfrentando o gramado pesado pela chuva e um intervalo de duas horas devido às condições climáticas. Pela Noruega, Haaland não se permite menos que a sua média. Fez dois na estreia, repetiu a marca no 3 x 2 contra Senegal. Os vikings estão em estado de graça e vão embalados pelas remadas para a Segunda Fase. A Argélia venceu de virada a Jordânia e fará um confronto direto com a Áustria pelo 2º lugar do grupo.

Dia 13

O dia de Cristiano Ronaldo. Para a última rodada não virar pressão, Portugal precisava jogar tudo contra o Uzbequistão. Foi isso. CR7 tentou algumas vezes nos primeiros minutos e o gol saiu cedo. Na sua 6ª Copa do Mundo: deixou a assinatura. “Siu!” Os portugueses mostraram vasto repertório de jogadas ensaiadas. Numa cobrança de falta perto da linha da área, Nuno Mendes surpreendeu e guardou. O óbvio era Ronaldo bater, mas ele guarda o melhor para o próximo lance. Fez o 3º após uma arrancada e toque preciso na saída do goleiro. O 975º gol da carreira que chegará ao milésimo. Com o 5 x 0 no resultado final, a paz para disputar com a Colômbia a liderança – que venceu por 1 x 0 a RD Congo.

No último grupo – o L, pouca emoção. Kane não marcou, pelo contrário, com o cronômetro indo para o final mandou longe uma bola que se apresentou fácil para ser convertida em gol. A Croácia respirou. Achou o placar mínimo contra o Panamá, conquistou três pontos valiosos para tentar emplacar pela terceira Copa do Mundo uma campanha entre as melhores seleções.

Vem aí a 3ª rodada, com tudo jogado um novo campeonato entre os 3ºs colocados irá se apresentar. Muita coisa vai mudar no chaveamento a cada grupo decidido. Depois de quatro dias intensos pelas doze chaves, veremos a estreia da fase Dezesseis Avos de Final. É a história acontecendo…

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