HQuinta | Bienal de São Paulo dos livros e quadrinhos: mais vendas, debates e projeção
Evento livreiro aconteceu no Distrito Anhembi entre os dias 4 e 13 de setembro, recebeu 760 mil pessoas e aumentou 57% na média diária de faturamento dos expositores
Bienal do Livro de São Paulo, evento estreou em 2026 a Alameda dos Artistas by BIC (Fotos: Território Livre Fm)
Em números, a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo foi um sucesso. Polêmicas aconteceram. No horizonte, a significativa contribuição com a cadeia produtiva do livro. Mais leitura. Novos leitores e novas leitoras. Se em 2024 foram 722 mil pessoas, a atual edição recebeu 760 mil visitantes em 10 dias de evento. Com diversidade na programação e oferta grandiosa de títulos, foram um total de 3,65 milhões de livros com a participação de 800 autores e autoras, sendo 91% de nacionalidade brasileira.
Na estreia da Alameda dos Artistas by BIC – área totalmente dedicada aos trabalhadores e trabalhadoras dos quadrinhos com suas produções – o faturamento bruto autodeclarado foi de R$ 1,252 milhão, segundo divulgado pela organização. Um ótimo impulso para a nona arte ter de vez seu quadro garantido dentro do calendário de festas, feiras e festivais que celebram o exercício da leitura.
Se no espaço com 30 mesas foi de muito movimento, os estandes tiveram seus atrativos para fãs dos quadrinhos. O famoso Sebo do Messias apostou em curadoria e coleções históricas por preços chamativos. A New Pop – editora com selos variados de mangás – viu fila nos caixas até o último momento do sábado (12). Nesse mesmo dia, o palco Papo de Mercado promoveu a mesa ‘Entre tendências e apostas editoriais, como se constrói um catálogo de quadrinhos’ – fortalecendo o lugar de discussão e troca de conhecimentos sobre o setor.
A mediação do bate-papo foi realizada por Mariana Viana, responsável pelo canal especializado Fora do Plástico. O assunto percorreu tendências e alternativas de publicações para que não se perca em bibliodiversidade. Com a participação de três editoras atuantes em diferentes pontos do mercado, as falas revelaram as leituras antes do contato da obra com o público. Confira alguns destaques:
Bruno Dorigatti, representando a Darkside Books, ponderou a importância de se ter cuidado com as tendências. Como exemplo, citou o mercado de mangás e sua expansão pós-pandemia, valendo o investimento. Completou dizendo que qualquer obra deve se sustentar, “a tendência pode passar, mas a publicação fica.”
A JBC, representada por Marcelo Naranjo, destacou a importância do canal direto com a internet. “É preciso ter feeling”, afirmou. Haykiu!! foi colocado como um caso marcante, nos últimos dois anos o título que tem no centro da narrativa o esporte liderou uma aba de indicações no site da editora. “Se vai virar tendência ou sucesso, o futuro vai dizer”, concluiu o editor.
A Editora Veneta falou da importância de alinhar tendência e compromisso. Letícia de Castro disse considerar alguns cuidados, como a certeza de começar e terminar uma série – “publicamos nossa primeira em 4 volumes, uma aposta ousada, mas mantendo a confiança do público de que o andamento não seria interrompido”, revelou.
Além da virada de página, encontros de conversa entre diferentes profissionais – ainda mais em uma Bienal do Livro – revelam para o público os bastidores da cena. Antes do título na banca ou prateleira virtual, negociações, variantes diversas e a forma como cada empresa vai lidar com os materiais ganham enredo e aproximam as duas pontas do processo: desafios da produção e o prazer da leitura.
Sobre a importância dos quadrinhos nos eventos
História em quadrinhos é leitura; faltava um espaço dedicado para essa mídia. A reflexão é de Ivan Costa, curador da Alameda dos Artistas by BIC, estreante na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. “Eventos como a Bienal abrirem espaço para os quadrinhos estimula outros eventos a fazerem o mesmo. É uma mídia muito lida, alcança o público jovem, que descobre que é possível ler quadrinhos feitos no Brasil e é possível produzir quadrinhos, para leitura local e consumo internacional”, contou.
Ivan Costa cita como exemplo o quadrinista Ivan Reis, artista que produziu por um tempo uma galeria de personagens da DC Comics, nascido e morador de São Bernardo do Campo – cidade do ABC Paulista. “Os quadrinhos chegaram pra valer na Bienal e a gente espera que isso aconteça no Brasil inteiro em feiras e eventos”, finalizou creditando ainda a importância de uma programação estendida que debateu carreira, mercado, o desafio e impacto da IA na produção criativa de profissionais.
