START #13 | Game é cultura, indústria e política
Do Brasil para o mundo, Marco Legal dos Jogos Eletrônicos anuncia série de medidas para formação, profissionalização e valorização do setor brasileiro de games
Após diálogo participativo com a sociedade civil, com o setor produtivo, universidades e fazedores de todo o Brasil, no último dia 14, o presidente Lula (PT) assinou a regulamentação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos. O decreto estabelece diretrizes para o desenvolvimento, o fortalecimento e a sustentabilidade do setor brasileiro com medidas voltadas à produção nacional, a inovação tecnológica, a qualificação profissional, a internacionalização e a preservação do setor; além de ações relacionadas a saúde, educação, acessibilidade e propriedade intelectual.
“Houve um tempo em que os videogames eram diversão de crianças e adolescentes. Eles cresceram e, ao invés de esperar o próximo sucesso estrangeiro, decidiram fazer seus próprios jogos. O pequeno negócio virou uma indústria”, reconheceu Lula durante assinatura do documento, projetando o setor brasileiro em muito breve estabelecido como uma referência mundial, deixando o posto de potencial para mudar de fase e virar realidade amparado pelo pacote de políticas públicas.
A cerimônia realizada em Brasília fez questão de sublinhar o trabalho integrado entre as pastas do Governo. Como uma pauta transversal, o tema videogame foi destacado como presente na Cultura, mas completamente envolvido com Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Comércio, Fazenda, entre outras áreas. “Ao lado do Presidente Lula, celebramos um passo decisivo para a cultura, inovação e desenvolvimento do Brasil”, disse a Ministra da Cultura Margareth Menezes. A responsável pelo MinC completou dizendo que, a partir do decreto, os jogos eletrônicos deixam de ser compreendidos apenas como software ou como entretenimento e passam a ser reconhecidos como obra audiovisual interativa e como produto cultural.

Considerando a população brasileira como uma dos maiores consumidoras de games no mundo e a maior da América Latina – com mais de 100 milhões de jogadores e jogadoras segundo pesquisas especializadas – todo o sistema que envolve o Marco Legal dos Jogos Eletrônicos é fundamental para alcançar e conquistar mais parcelas do público brasileiro, aumentando o consumo de produções criadas e desenvolvidas no Brasil. Com a validação da proposta, criadores poderão acessar instrumentos de fomento consolidados como a Lei do Audiovisual, Lei Rouanet, Fundo Setorial do Audiovisual, além de ter reconhecido o papel na educação, na saúde, na formação das juventudes e na qualificação profissional com geração de emprego e renda.
Entre tantos avanços, o documento de ações prevê como outros ministérios, além da Cultura, vão incorporar os jogos em suas políticas. Já inspirado por um lançamento deste ano – o Tela Brasil, streaming com filmes e conteúdo audiovisual – os videogames também terão seu espaço reconhecido com uma plataforma própria. A Game Brasil, com acesso público e gratuito, será focada nas informações e nos jogos eletrônicos brasileiros, com catalogação, divulgação e promoção das produções.
Outubro: o mês do game passa pela BGS
É tradição marcar território na Brasil Game Show. Evento – cultural – realizado em São Paulo, durante os primeiros dias de outubro. Ao longo dos últimos anos, a maior feira de games da América Latina foi impactada, entre altos e baixos, pelas principais tendências do setor: a energia do eSports ganhando mais chão, as grandes desenvolvedoras preferindo seu próprio calendário e a recente mudança de espaço do Expo Center Norte para o Distrito Anhembi.
Pelo segundo ano no novo endereço, logo à primeira vista a ocupação foi bem diferente em comparativo com a Bienal Internacional do Livro, realizada no mesmo local no mês anterior. Menos estandes e mais espaço nos corredores, ficou a sensação de que com a inviabilidade de algumas protagonistas do mundo dos games, a estrutura poderia ter como recurso um tema-ponto de partida para nortear a experiência dos visitantes.
Com isso, o ponto alto em outras edições, os criadores independentes, organizações coletivas e pedagógicas poderiam sair fortalecidas e – ao mesmo tempo – com o mérito já visto feito o barulho que ficou ausente pela falta de um grande nome convidado ou a disputa de um campeonato. Investir na diversidade nas sessões de bate-papo, alternando o posto da figura influenciadora com outros papéis de atuação – profissionais artísticos, de engenharia e programação – pautado, em certa medida, por uma parte da abrangência de um Marco Legal dos Jogos Eletrônicos – promovendo, por exemplo, base, caminhos por leis de incentivo e envolvimento entre profissionais, aspirantes e público geral.
Tem muita gente fazendo, falando sobre e jogando game no Brasil. O show ficou por conta da Video Game Orchestra – liderada pelo músico e produtor Shota Nakama – que sempre entrega um espetáculo de primeira qualidade, com emoção, peso nos acordes e boas doses de memória a partir de trilhas sonoras de variados jogos de videogame. Nintendo e SEGA sempre são fontes de segurança e nostalgia. Vida longa e até a próxima ficha, BGS.
