TL Fm na FLIRP 2026 | Mesas, editoras independentes, coletivos e a vida na literatura
Mesas de bate-papo e rodas de conversa movimentaram a 5ª Feira Literária de Ribeirão Pires
Mesas de conversa foram conduzidas pelo curador da 5ª FLIRP, o poeta e jornalista Carlos Galego (Fotos: Território Livre Fm)
“Tá escapando?” A frase é conhecida para quem acompanha Ferréz em seu canal no YouTube. Antes de lançar uma reflexão no vídeo, o texto de introdução coloca a ideia da audiência para trabalhar. Na literatura não é diferente, o autor é realidade – com impacto, provocação e movimento – desde quando a internet era novidade. Capão Pecado chegou em 2000, se atualiza e conversa com o público leitor até hoje.
No sábado da 5ª edição da Feira Literária de Ribeirão Pires, o escritor, editor e sócio da Comix Zone protagonizou o bate-papo ‘Literatura, da escrita à vida’. Entre as falas sobre leitura e publicações, a pergunta que fechou o encontro repetiu um clássico: sobre o que é a vida? Ferréz disse ser a eterna vontade de ter e o tédio de já ter. No paralelo entre sucesso e frustração, conectou outras linhas que fazem parte do exercício – diário – do viver. “Um festival desse me deixa encantado, o contato com as pessoas. Pra fechar, não peça recibo pela sua bondade”, finalizou.
Na mesa seguinte, Eduardo Lacerda e Ricardo Escudeiro compartilharam experiências de vida-literária pela sensibilidade de quem vive no meio das publicações. Para o responsável pela Patuá – editora independente fundada em 2011 – mais vale “publicar um garoto ou garota que está começando, reconhecendo o comprometimento de agora que lá no futuro pode se tornar um grande nome”, contou o editor Eduardo Lacerda sobre se interessar mais por pessoas que por números.
Ricardo Escudeiro, publicado pela Patuá, direcionou uma fala para a importância de vivências coletivas entre autores e autoras. “Pode acontecer do autor não conhecer outro, mas é importante se conhecer e entender o mercado. Se cerque de pessoas legais e seja uma pessoa legal no meio. Seja mais leitor que escritor, leia formas e formatos que fuja do mercado tradicional”, indicou o autor.
Para fechar a programação do palco, Daniel Munduruku fez a conversa ‘Literatura, Ancestralidade e Povos Originários’. A mediação contou com a participação da Cacica Jaqueline Haywã, voz do povo Pataxó-hã-hã-hãe Kariri Sapuya do ABC Paulista. No andamento das falas, o escritor destacou a importância da educação, de como a escola cumpre um papel fundamental para a formação de um grande e necessário aprendizado: “não somos iguais”, frisou em relação aos povos indígenas.
Com a lua tomando o céu e a vista do Mirante Santo Antônio, Munduruku refletiu sobre a existência de “apenas” dois tempos na vida. “Se o momento atual não fosse bom, não chamaria presente”, reproduzindo uma frase comum entre os seus. Ainda, sobre o passado, manteve a memória como acesso para viver o que não deve ser esquecido. “O Brasil nasceu de uma mentira, foi golpeado ao longo da história e graças a um estadista não foi atacado recentemente”, completando com um lembrete sobre a relevância das políticas públicas e de um governo que defenda o tamanho do país.
Rodas de conversa e coletividades
Pelos diversos cantos do ponto turístico-sede da programação da Feira Literária de Ribeirão Pires 2026, coletivos e formas de coletividade compartilharam seus fazeres pelo universo da produção escrita e das práticas de leitura. Dani Silveira, voz no Território Livre Fm, esteve no encontro ‘Literatura, Memória e Territórios’ promovido pelo ponto de cultura Manda@Letra. “Escritor é trabalhador, que deve ter direitos e políticas públicas”, afirmou a produtora em defesa de uma base que antecede o livro. Também foi defendido em sua fala o espaço das bibliotecas públicas e a importância da mediação, ampliando o campo de atuação dos profissionais e a troca com o público – “de leitora entendi que poderia ser eu a pessoa mediadora”, disse. Márcia Plana, escritora e poeta, elencou outro ambiente importante para a circulação do livro: os saraus.
Em seguida, com neblina e chá, as academias de letras se encontraram para trocar experiências. Os espaços foram referenciados como extensão do campo progressista, para o fortalecimento do encontro com os livros impressos e para o contato com as pessoas, além do alcance do público jovem a partir de iniciativas, como destacou a bibliotecária de Mauá, Sarita Talmelli com o seu bibliozine – ampliado para uma versão em podcast. Em Ribeirão Pires, a Academia de Letras – ALERP foi empossada em 2026.

A 5ª edição da Feira Literária de Ribeirão Pires (FLIRP) – Do Desenho à Palavra ocupou o Ponto Turístico Mirante Santo Antônio com lançamentos, atividades e programação com o livro – a sua produção e a formação de leitores – no centro das atenções. Em 2026, o evento homenageou a escritora, poeta, editora e ativista cultural Dalila Teles Veras, referência na literatura e da vida cultural da região ABCDMRR.
