Eleições 2026 | Lula abre campanha no ABC Paulista: Onde Tudo Começou
Vila Euclides: estádio em São Bernardo do Campo foi território de luta da classe trabalhadora e segue fazendo história como solo sagrado pela defesa da Democracia
Lula (PT) reúne multidão e lota estádio em SBC durante abertura de campanha (Fotos: Território Livre Fm)
Domingo de sol, 16 de agosto, gente chegando de todo lado e a energia concentrada nos mesmos objetivos: defender a soberania do Brasil e o avanço nas políticas públicas. Filas para ocupar as arquibancadas e o piso do Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo. Com essa escalação, o campo localizado na região ABCDMRR abriu a campanha de Lula (PT) para a presidência do Brasil nas eleições 2026. O jogo pelo tetra – histórico – não poderia ter lugar mais simbólico para começar.
No centro de tanta história, 47 anos após o 1º ato, Alexandre Padilha encerrou o aquecimento que contou com diversas participações. Foi ele o puxador da contagem regressiva para Lula – mais uma vez – encontrar o povo no espaço marcante da Vila Euclides. Na tela gigante, a escrita: ‘nunca os trabalhadores conseguiram ganhar nada se não houvesse luta’. Forte e vacinado, nas palavras do Ministro da Saúde, o presidente brasileiro, candidato à reeleição, entrou para o gramado com o lema do passado estampado no presente e projetado para o futuro – sem tirar o pé da dividida pelo fim da escala 6×1 – proposta em andamento defendida pelo governo federal.
Em seu discurso para cerca de 40 mil pessoas (número divulgado pela organização), Lula fez questão de entonar o poder da mobilização popular e o sucesso da greve de 1979. Ressaltou que naquele tempo a estrutura usou uma mesa de bar, sua voz e a capacidade do discurso pelos direitos dos trabalhadores percorrer sem microfone ou megafone um a um no Estádio Primeiro de Maio tomado de gente. “Não sei que mentira chegou no final, a verdade é que a greve foi um sucesso”, pontuou em tom descontraído a importância do papel de uma liderança consciente e em prol do coletivo.
Organizada, com uma liderança, a classe trabalhadora tinha ferramentas para contrapor as injustiças sofridas no chão de fábrica – contaram em depoimentos apresentados no telão trabalhadores e trabalhadoras que estiveram ao lado de Lula na greve de 1979. Também ressaltaram o quanto o movimento potencializou a luta pela Democracia – o povo no estádio sentia de perto a repressão enquanto via o sobrevoo de um helicóptero com agentes armados. No encerramento do vídeo, o grupo encontrou o presidente no palco montado no Estádio Primeiro de Maio, em SBC.
Ainda emocionado com o capítulo atual, Lula fez o gesto de tirar o chapéu – contrariando a recomendação médica de previnir a cabeça do sol – para saudar cada pessoa presente no momento de largada da campanha. Sim! Começou a eleição mais importante – das nossas vidas – pela defesa dos bens brasileiros: soberania, acesso à educação e condições melhores de trabalho – tópicos que o candidato à presidência fez questão de pontuar. Em um Brasil que se recupera dos cortes de Temer e o desgoverno de Bolsonaro, além do cenário de ameaças impostas pelos EUA, é em tamanho contexto que “a estrela que nasceu na Vila Euclides segue acesa”, afirmou Fernando Haddad (PT), candidato ao Governo de São Paulo.
Benedita da Silva, primeira mulher negra a governar o Rio de Janeiro, falou da importância das mulheres no processo democrático e com participação nas decisões de todas as pautas relevantes para o país. Na sua vez com o microfone, Janja destacou “os sonhos, opiniões, desejos, vontade e determinação das mulheres para a construção de um Brasil cada dia mais justo e igualitário”. Para mais que um tema, mostrou a importância de fazer do maior cargo político brasileiro o principal meio de conscientização e criação de medidas vitais pelos direitos femininos – paralelamente com tais ações protegendo e valorizando toda a vida.
Janja também fez questão de colocar em jogo o legado criado com a primeira bandeira do PT bordada por uma mulher – Marisa Letícia (operária, militante-política e primeira-dama entre 2003 e 2011). Mais que homenagem, o passado – honrado e contextualizado – fez território firme durante o lançamento de campanha de Lula para o fortalecimento do projeto de nação que não negocia suas raízes. O Brasil fortalecido nos próximos quatro anos passa pela afirmação de onde viemos e a negação daquilo que não queremos nunca mais: a tentativa de derrubada da Democracia.
